A imagem na Era Digital

Você já reparou que as imagens parecem se multiplicar à nossa volta? Não importa o lugar, elas estão sempre presentes. Estáticas, em movimento, coloridas ou não, de formas, tamanhos e ângulos diferentes, têm o poder de transmitir mensagens, influenciar nossos sentidos, mesmo em silêncio. Estamos falando aqui das chamadas imagens tecnológicas, isto é, representações visuais obtidas através de instrumentos mecânicos como uma máquina fotográfica, por exemplo. Como lembra Lúcia Santaella, em seu livro Linguagens líquidas na era da mobilidade, “qualquer coisa, qualquer situação, todo o visível se tornou reprodutível”. E esta reprodução envolve diversas técnicas para tornar possível a dinâmica entre o objeto e a sua representação.

A identidade de uma imagem depende muito das características do dispositivo utilizado para a sua produção e manipulação. Por isso, a chegada da Era Digital revolucionou os conceitos que envolvem a representação visual. O ambiente hipermídia trouxe algo a mais no contato com as imagens: a interatividade. Nas páginas da Web, elas vêm acompanhadas por textos, sons e, muitas vezes, assumem o papel de links que remetem a diversos conteúdos. Isso, sem contar as possibilidades de alteração do modelo original, através dos recursos de edição. Definitivamente, as imagens deixaram de ser meras ilustrações e ganharam vida própria.

Nos sites voltados para o conteúdo jornalístico não é muito diferente. Para fins de exemplo, vou traçar um breve comparativo entre a apresentação das imagens nas páginas do Jornal Tribuna de Minas (versão on line) e do Último Segundo. No site do Tribuna, as imagens ganham movimento na publicidade que aparece logo no cabeçalho da página, divulgando o nome do jornal. A imagem da capa do impresso torna-se um link para acessar a sua versão on line na íntegra. O “selos” permitem que os leitores participem de seções do jornal, ou simplesmente enviem sugestões. As imagens que ilustram as páginas da versão impressa também estão presentes, e o click em algumas leva até as matérias correspondentes. Já no Último Segundo, a interatividade é ainda maior. Além de várias publicidades em movimento e “imagens-links“ , o site apresenta vídeos e até uma seção multimídia. Imagem é o que não falta, em diversos conteúdos, para todos os gostos.

 

Na hora das eleições…

Cabos eleitorais, carros de som, banners e os famosos “santinhos” espalhados por toda a cidade. É isso mesmo que você está pensando, chegou a hora da propaganda política. E vale tudo para conquistar os nossos votos. Candidatos sorridentes passeiam pelas ruas, dão tapinhas nas costas dos eleitores, posam para fotos com crianças no colo e ainda soltam algo do tipo “Conto com você, hein?”. É um verdadeiro auê. Por trás de tudo isso há sempre a equipe responsável pelo marketing. Aí está o cérebro da campanha. Mais do que idéias, eles tentam vender uma imagem positiva do candidato. Tudo é pensado nos mínimos detalhes, da roupa que o fulano vai usar no debate até as vírgulas do discurso apresentado à comunidade. O objetivo é transmitir credibilidade e segurança ao eleitorado. Informações inconvenientes, por exemplo, são jogadas para debaixo do tapete, a não ser que elas se refiram ao concorrente. Nessas horas, os podres do adversário tornam-se um trunfo e rendem trocas de farpas no horário eleitoral gratuito.

A campanha não é só uma disputa por votos, mas também por espaço. Um quer aparecer mais do que o outro. Pena que, na maioria das vezes, é para dizer as mesmas coisas. O discurso tem uma construção básica : “Eu vou fazer isso”, “Vou melhorar aquilo”… EU tanta coisa. Um pouco egocêntrico, não acha? Se todas estas promessas se concretizassem…

Mas, como diz certa propaganda, nós somos brasileiros e não desistimos nunca. É melhor acreditar que há alguma criatura com boas idéias e, mais do que isso, vontade de trabalhar por aqueles que lhe deram um voto de confiança. Por isso, olhos e ouvidinhos bem atentos durante as campanhas. Não caia na armadilha de julgar apenas pela aparência, nem de votar em alguém só porque este prestou um favor para o amigo de um primo da sua vizinha. Afinal, é o interesse coletivo que está em jogo. Uma boa dica é pesquisar sobre a vida e a carreira política do candidato. E, se ele não corresponder às nossas expectativas, melhor deletar da lista, ok?

E já que estamos falando de eleições, vale a pena conferir esta charge do Maurício Ricardo. Com certeza, você deve conhecer algum candidato que se encaixe em pelo menos um dos perfis abaixo.

Tipos de candidatos a vereador

Heterarquia e Jornalismo Colaborativo

Organização social descentralizada entre iguais. Este é o significado da expressão heterarquia, utilizada por pesquisadores e praticantes das novas formas de produção de conteúdos com a participação do público.

Heterarquia rima com interatividade e esta é a essência do Jornalismo Colaborativo, que ganha cada vez mais espaço no ambiente digital. O indivíduo deixa a condição de mero receptor para tornar-se, também, emissor de informações. É uma forma de democratizar e dinamizar os processos comunicacionais, oferecendo a qualquer cidadão que tenha acesso à Internet possibilidades para divulgar suas idéias e impressões sobre a realidade que o cerca. Esta prática  se opõe à estrutura vertical das redações convencionais, onde a noção de hierarquia estabelece funções e delimita a participação de cada profissional nas etapas de produção jornalística.

O Jornalismo Open Source, como também é denominado, surgiu no início de 2000, quando o jornalista coreano On Yeon-Ho criou o site OhmyNews, de conteúdo totalmente produzido com a colaboração de cidadãos-repórteres. As informações chegam de todas as partes do mundo e são checadas por editores, a fim de manter a credibilidade do site. Desde então, este novo modelo de comunicação tornou-se um fenômeno, conquistando adeptos em diversos países. Para o jornalista norte-americano Dan Gillmor, um dos principais entusiastas do jornalismo cidadão, muitas pessoas encontraram na Web uma forma de suprir temas que a mídia não cobre.

No Brasil, o Jornalismo Colaborativo também ganhou força. O BrasilWiki é um exemplo. Criado por jornalistas, permite a qualquer pessoa ser repórter e contar suas histórias, dar sua opinão, publicar fotos, vídeos e áudios, sempre na linha de notícias “todos para todos”. Já o site Overmundo, também colaborativo, está voltado para a produção cultural do Brasil e de comunidades de brasileiros espalhadas pelo mundo. Os próprios usuários decidem o que vai ser publicado, sem a intermediação de jornalistas.

O fenômeno impulsionou uma mudança de comportamento na mídia tradicional. Para não ficar para trás, muitos jornais decidiram abrir espaço para os leitores em suas versões on-line. É o caso do Eu-Repórter, criado em 2006, pelo jornal O Globo, no qual o público pode enviar textos, fotos e vídeos para a publicação na Internet ou na versão impressa. O Estado de S. Paulo também conta com um projeto de participação dos leitores, o FotoRepórter. Através deste canal, qualquer um pode enviar fotos ao jornal. As imagens de interesse jornalístico são publicadas no Portal Estadão e as melhores podem chegar às páginas do impresso.

Iniciativas deste tipo comprovam que tecnologia e boas idéias estão caminhando juntas, construindo novas formas de pensar e fazer jornalismo.

 

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